Olho vivo
Textinho mequetrefe sobre aula de natação, texto gerado por AI e novas conquistas.

Este ano iniciei alguns projetos: comecei a fazer aula de yoga, troquei yoga por natação e comecei a escrever uma newsletter de crônicas. Falta trocar de emprego ou passar num concurso. Mas, como cavalo não desce escada, é preciso certa técnica e paciência para içá-lo do alto de algum lugar e fazê-lo chegar a uma terra que lhe permita cavalgar. Todo esse processo é lento, é devagar, devagarinho. Sendo assim, não me espanta que eu tenha escolhido duas práticas esportivas que ensinam a controlar a respiração.
Nas aulas de yoga, o professor sempre falava: volta a atenção para a respiração. Nas de natação, Paulo, outro professor, diz: respiração, dez vezes. A cada exercício realizado, de cinco ou dez voltas na piscina, a gente deve prender o ar e soltá-lo dentro d’água ― dez vezes. Talvez pareça fácil, para quem já está acostumado. Mas para mim, que não nadava há pelo menos 20 anos, não é fácil manter o ritmo ou controle sobre a respiração.
Não sei se para me inspirar ou para me desanimar, Paulo me conta histórias de outros colegas: tá vendo aquele cara ali, chegou aqui, nadava nem até o meio da piscina, agora dá várias voltas. O colega citado quer ser bombeiro e começou a nadar para se preparar para o TAF. Ele chama a atenção pelo corpo malhado e pela disciplina: além de em pouco tempo ter aprendido a nadar e a respirar de maneira adequada, corre algumas vezes ao redor da piscina semiolímpica. Sempre me impressiona que existam pessoas com tamanha disposição para se movimentar.
Uma piscina semiolímpica tem um comprimento de 25 metros. Eu nado na de 15 metros. Houve um dia apenas, no meu segundo ou terceiro dia de aula, em que nadei na de 25. Foi um horror: na metade, perdi o fôlego e tive de me apoiar na borda. Agora, acho que tenho mais fôlego, exceto por uma tosse alérgica que não me deixa. Sinto-me menos cansada. O ruim é sair da piscina com a pele seca, com água no ouvido (ainda não comprei um protetor auricular) e tossindo ainda mais. Às vezes, fico com dor no corpo também ― consequência de quem leva uma vida sedentária há anos.
Apesar disso, gosto mais das aulas de natação do que das aulas de yoga. Gosto tanto que não só quis escrever uma crônica sobre fazer natação, como pedi para a Meta AI produzir um texto sobre o mesmo tema. No texto da AI, meu professor é um homem experiente, de sorriso contagiante; a água da piscina oferece um abraço gelado; meus braços e pernas pesam toneladas; as gotas d’água (que gotas, se a água é de piscina?) criam uma melodia suave; e a água parece cantar junto aos nadadores. A AI do WhatsApp certamente não serve de exemplo para a elaboração de textos criativos, haja vista os clichês mencionados. No mais, por que é que a água cantaria junto aos nadadores? Desde quando água cheia de cloro, às vezes suja, com folha de árvore, parece canto?
No texto da AI, também é dito que algo mágico aconteceu, quando comecei a me sentir mais confortável na água. Algo mágico me remete à infância, quando eu sonhava em ter uma varinha mágica para fazer com que um bolo de chocolate aparecesse na hora em que eu desejasse ou para fazer com que meu quarto se limpasse sozinho. Minha compreensão de magia restringia-se à possibilidade de satisfazer de imediato o que eu julgava serem minhas necessidades. Hoje, sentir-me confortável na água seria mesmo algo mágico, tendo em conta que gostar não é o mesmo de sentir-se confortável. Por sorte, a criança cresceu e já entende que a cavalgada é mais gostosa quando feita com técnica e estilo.
Movimentar-se não é confortável, porque implica mudar ou criar novos hábitos. Para uma sedentária, como eu, ter começado a nadar já foi um grande feito. Ainda mais, foi ter aprendido a nadar de costas. Nem aos 12 anos, quando eu fazia aula de natação no Canto do Rio, eu nadava de costas. Próximo feito será nadar na piscina semiolímpica, sem perder o fôlego. Próximo projeto a ser realizado, será mudar de emprego. Por aqui, as coisas vão lentas e nenhuma mágica acontece, nem na hora de produzir um textinho mequetrefe. Mas penso que isso deve ser melhor do que se render às facilidades da contemporaneidade. Se é que me entende, caro leitor, já dizia o Ibrahim: Olho vivo, que cavalo não desce escada.


Nossa, deve ser tão difícil nadar de costas!! Parabéns pelo texto.
Meu amor, como pode até um texto sobre natação ser gostosinho assim de ser lido?
“Sua escrita é envolvente e me fez sentir como se estivesse dentro da piscina”. (HAHAHAHA, essa IA é uma figura)